domingo, 31 de março de 2013

MENDIGA



Pobre de amor,
Vou mendigando as carícias
Que outros desprezam!

Pobre de amor,
Vou mendigando palavras ternas
Que outros recitam!

Pobre de amor,
Vou mendigando compreensão.
Mas amor,
Esse não,
Ninguém mo dá!
Pobre de amor,

Vou mendigando compaixão.
Mas amor,
Esse não,
Ninguém mo dá!

Pobre de amor,
Vou mendigando…
Mas tudo o que me dão
Vai aumentando esta dor.
Mas amor,
Esse não,
Ninguém mo dá!

Fátima Negrão, in “Pedaços”.
Ilustração de São José
Edição de autor, 2007
 
 



Para refletir:


Ser mendigo!

           Foi essencialmente a partir do século XX e já em pleno século XXI que as grandes cidades começaram a enfrentar graves problemas sociais resultantes da economia, da política e dos grandes  poderes económicos e das indústrias de armamentos, farmacêuticas, dos carteis da droga, entre outras e que se manifestam através dos sequestros, roubos e furtos cada vez mais frequentes e violentos, a prostituição,o homossexualismo, o desemprego, os menores a vaguearem pelas rua, as desigualdades sociais, a mendicidade e alguns outros cada vez mais difíceis de encarar e resolver.
Estes problemas têm preocupado as autoridades governamentais, e a população em geral, uma vez que estes comportamentos  não estão de acordo com as normas constituídas pelos hábitos e costumes da sociedade, mas mesmo assim, vai crescendo o número de mendigos nas ruas, a cada esquina e enchendo as instituições sociais e religiosas que os têm acolhido.
Mas, afinal o que é ser mendigo?
Porque surge o mendigo?
Será a fuga do campo, que não consegue colocação em nenhum emprego digno, ou mesmo desqualificado?
Será a distribuição de renda, que exclui do mercado de trabalho, aqueles de idade avançada?
 Ou, será apenas  a lei de causa e efeito em atuação?
Em princípio, o surgimento dos mendigos advém de coisas simples, isto é, pessoas pobres que não têm como se alimentar, que pedem ajuda  ao amigo, a outro familiar, ou ao vizinho do lado!
Poderemos afirmar que o problema da mendicidade resulta com a divisão da sociedade entre pobres e ricos, cujo aumento desse diferencial, os pobres vão à miséria e os ricos ficam cada vez mais ricos?
Tudo isto foi a sociedade que criou, tal como a lei de causa e efeito existe?!    
O mendigo tem uma vida complicada. Sai pela manhã, vai de casa em casa a pedir pão, roupa velha, comida, uns trocos, isto é, alguma moeda que vai servir para tomar um copo na primeira taberna da esquina e, de copo em copo, fica bêbado, aumentando ainda mais o estigma daqueles que detestam mendigos, com sofrimentos maiores para sua família que deseja sobreviver.
Muitas e muitas vezes, o pedinte não chega a casa, ficando na sarjeta, bêbado pelas calçadas, cujos companheiros são os cachorros e seus colegas de infortúnio, como se observa nas ruas escuras e debaixo das pontes, que são os seus berços acolhedores de mais um dia de copos e de dores para seus filhos que vivem numa situação de total dependência.
 A família, desesperada, sujeita os filhos (geralmente numerosos) a trabalhos de baixa qualificação, porque não tiveram a oportunidade de conseguir um nível escolar suficiente para um bom emprego.
Estes, cansados de ganhar pouco, trilham pelo mesmo caminho do pai, ou de um irmão que está no mesmo destino. 
Se a humanidade não estiver atenta a estes sinais, os problemas sociais vão sempre estar presentes !
      Normalmente atribui-se como uma das causas da mendicidade a relação existente entre a cidade e o campo, dado que o homem do campo, ao ver-se sem recursos financeiros, vai em busca de conseguir algum sustento para a sua vida, isto é, um trabalho na cidade, para poder educar os seus filhos, ter uma situação melhor e sair da pobreza que paira sobre as famílias que vivem abandonadas nas terras distantes, frias e pobres no interior de Portugal.
 O sentimentalismo é o ponto mais explorado por aqueles que tentam tirar proveito de alguma circunstância e nesta situação encontra-se o mendigo.

Também nas questões do Amor e da Paixão há os mendigos, aqueles que nunca conseguiram dos outros entrar em suas moradas espirituais, nos seus sentimentos mais puros e profundos, que nunca conseguiram receber em troca do seu amor o amor do seu próximo!
Faz o teu comentário.

sexta-feira, 29 de março de 2013


PAIXÃO                     




É meu destino
Amar como a força do vento.

É meu prazer
Abraçar teu corpo, em chama.
Sentir o perfume,
Dos teus desejos carnais.

É meu desejo
Beber em teus lábios quentes,
Teus beijos.

É meu dever
Deixar arder esta paixão.
Na cama!
No chão!


Fátima Negrão, in “Pedaços”
Edição de autor 2007

PAIXÃO